12/08/2008

LIMPEZA E CONSERVAÇÃO DO DISCO DE VINIL

Limpeza e conservação de discos de vinil.

Limpeza


Uma limpeza das superfícies de um disco, por mais necessário que esta seja, sempre será uma oportunidade de se causar dano ao médium. Assim, um processo de limpeza que venha a ser adotado, qualquer que seja ele, deve sempre ser norteado pela necessidade de ser o mais rápido possível ... para que eventuais danos (imediatos e futuros) sejam os menores possíveis. Para tal ser conseguido, se deve lançar mão, além do solvente universal (a água), também (i) um surfatante e mesmo um outro solvente diluído no primeiro; (ii) uma escova; (iii) secagem acelerada por aspiração.
Uma intervenção como esta, onde o uso de uma máquina é usada, deve ser usada uma ou duas vezes -- no máximo -- ao longo de toda a vida útil do disco. Uma limpeza profunda, representa para a massa vinílica o mesmo que um peeling facial representa para o humano, tal é o nível da sua agressividade.

1. DISCOS VINÍLICOS QUAISQUER

Imaginando-se um serviço de limpeza profissional para terceiros, ou então, o caso daquele profissional que tem sob sua responsabilidade um acervo discográfico muito grande ou muito valioso (emissoras, bibliotecas, museus, arquivos em processo de transcrição, etc.), ou ainda, até mesmo o amador com grandes coleções para conservar, para todos estes casos é interessante se lançar mão de uma máquina que atenda o volume de serviço pretendido.

O endereço <
http://www.enjoythemusic.com/recordcleaner.htm >

traz as noções de como se construir uma máquina de lavar discos gastando-se uma quantia muito modesta, e ainda assim, capaz de obter resultados virtualmente idênticos àqueles oferecidos por similares comerciais que custam, FOB, quatro dígitos em dólares. É verdade de que se trata de um mecanismo para a lavagem, face por face, de um único disco por vez, todavia, como o exposto explicita em linhas gerais aquilo que é seguro, nada impede àquele mais industrioso a expansão de suas funções para que ambas as faces de dois ou mais discos sejam higienizadas simultaneamente.
O líquido de limpeza a ser empregado, neste caso, deve ser forte o suficiente para que o processo de solubilização dos resíduos seja rápido, mas, entretanto, relativamente inerte sobre o emoliente que faz parte da formulação vinílica e que, em hipótese alguma, deve ser removido -- ele já sofre um processo natural de exsudação que, se acelerado, terminará resultando na formação de 'crateras' facilmente 'legíveis' pela agulha, gerando um tipo de ruído descrito por alguns nesta lista como 'batata frita'.
Entretanto, sabe-se uma das, senão a mais segura, é o uso de água desmineralizada (água para baterias bi-destilada está bom) e álcool de madeira, diluídos na proporção de 50/50 % em volume. As quantidades utilizadas por face é muito pequena, e o produto deve ficar em contato com o disco apenas alguns segundos, sendo auxiliado no processo por uma escova especificamente projetada para o uso em vinil (aquela fornecida com o kit DISCWASHER D4) que um observador com olhos de águia notará que não faz parte do sketch apresentado. Se o refil para a escova DISCWASHER não mais for disponível, será necessário se canibalizar duas escovas completas (no desenho da minha máquina, duas faces são higienizadas simultaneamente). Com uma simples adaptação ambas as faces do disco podem podem ser escovadas e higienizadas simultaneamente. Finda esta etapa, por aspiração todo o produto e a sujeira em suspensão são rapidamente aspirados (por meio de um aspirador de pó comum, cuja mangueira é conectada aos terminais de sucção), deixando o disco, novamente em segundos, mais limpo do que quando saiu da prensa (explico: por mais limpo que seja o processo, sempre resta um pouco de desmoldante sobre o disco quando este é retirado da prensa, e esta é a razão do 'mistério' relativo aos discos 'virgens' -- a agulha às vezes fica suja da primeira à terceira 'tocada' e depois não mais).
Para acervos pequenos, até cerca de 800 ou 1000 títulos, há uma outra solução, ainda mais econômica que a primeira, mas ainda capaz de oferecer resultados comparáveis àqueles profissionais mas sem perder a confiabilidade se corretamente executado. Os discos são limpos e secos, face por face, com a escova e líquido solubilizante D4 da
DISCWASHER

2. DISCOS MANUFATURADOS EM SHELLAC (78 RPM)

Este material se dissolve em contato com álcool (mesmo pequenas quantidades deste diluído em água causam grandes estragos !). Devido ao valor que alguns acervos deste médium alcançam, somado à sua intrínseca fragilidade, é temerário tratar este assunto em duas linhas apenas. Para este caso específico, peço aos interessados que aguardem um artigo que estou escrevendo sobre todo o tópico "limpeza de discos".

3. SELOS

A estampa encontrada em cada face do disco também é objeto de coleção. Existem técnicas bastante seguras de se fazer a limpeza de um selo sem comprometer o seu valor. Nunca e em nenhuma hipótese, durante o processo de higienização de um disco, o selo deve ser molhado. Um profissional, ao tratar um exemplar qualquer, sempre e antes de tudo, aplica a este círculo de papel um guarda-selo. A máquina acima recomendada contempla este dispositivo.

4. CAPAS INTERNA E EXTERNA

Todo um capítulo pode ser escrito apenas para as capas, além do fato de também serem colecionáveis simplesmente como objetos de arte. Praticamente na sua totalidade, todas as capas internas e externas foram executadas em papel ácido, o que significa que, em condições normais, elas simplesmente desaparecerão dentro de 100 a 150 anos da data da manufatura do papel. Por outro lado, a química usada no branqueamento do papel, parte dela, ainda está presente no produto final utilizado pelo fabricante das capas e esta ínfima quantidade reage (ao longo dos anos) com o selo do disco, acelerando seu processo de degeneração. Se os cuidados para se neutralizar o efeito da acidez do papel estão fora do alcance do amador, o mínimo que se pedir é que ele não seja acelerado, mantendo-se discos e capas longe da umidade e dos habituais poluentes atmosféricos de uma cidade grande. Havendo necessidade de substituição do material degenerado, tanto o profissional como o amador encontrarão suporte nos seguintes

5. ARQUIVAMENTO

Discos de shellac de 10 e 12": devem ser arquivados deitados (se o acervo não for numeroso) e em pé, para grandes acervos (mas sob condições bastante específicas). Discos 45 RPM de 7": deitados (idem, idem). Discos vinílicos de 10 , 12 e 16": sempre em pé e em lotes de 10 a 12 unidades cada, todos eles ocupando seus próprios escaninhos, lote a lote. Pequenos acervos e/ou exemplares com problemas de empenamento originado por armazenamento incorreto, também necessitam ser arquivados de maneira bem específica.

6. REPRODUÇÃO

Para diminuir um pouco o desgaste prematuro da ponta da agulha do fonocaptor, utilizar STYLAST da Formula System, após a agulha ter sido limpa com o STYLUS CLEANER da DISCWASHER, antes de cada face de um disco. A escova fornecida no kit da DISCWASHER, corretamente utilizada, é capaz de, simplesmente, operar milagres, reduzindo níveis mais que perceptíveis de distorção.
Conservação
O que estende a vida útil de um disco analógico, por mais óbvio que seja, é o cuidado no seu manuseio; a qualidade e conservação do binômio fonocaptor/braço de toca-disco e, finalmente a qualidade do seu arquivamento.
Assim, compete ao usuário o cumprimento de certo rigor no manuseio destas (agora) preciosidades:

(i) lavagens constantes das mãos -- escamações minúsculas da pele, mais os ácidos e proteínas constantes no suor, são verdadeiros pratos de gourmet para colônias de fungos e bactérias. Uma vez estabelecidas, elas são difíceis de eliminar por completo - e elas também devoram o vinil !;

(ii) o tapete do prato, o próprio toca-discos, e o ambiente onde o aparelho de transcrição está instalado -- A presença de partículas em suspensão e aerodispersóides (fumaça de cigarro, charuto e cachimbo, por exemplo) seguramente vão terminar aderidas ás superfícies dos discos. O sarro do fumo, já que o citamos, uma vez aderido à qualquer superfície, esqueça, nem talhadeira retira por completo;

(iii) a higiene executada no ato de tocar -- o uso de escovas secas, imediatamente ao ato de tocar, deve ser entendido como parte integrante do processo 'de tocar um disco'. Existem diversos produtos no mercado que prometem exatamente o mesmo nível de performance (usando adesivos, fibras de carbono, cerdas de pariparoba-rosa, e até mesmo cerdas radioativas, tenho-as todas), mas aquela que r-e-a-l-m-e-n-t-e funciona é a escova constante no kit da DISCWASHER. Corretamente utilizada, ela não gera eletricidade estática e é capaz de escavar o fundo de um microsulco como nenhuma outra, à exceção, talvez, da aplicação de gel (constituído a partir de uma emulsão de PVC); entretanto o gel necessita de uma 'cura' de pelo menos 24 horas o que dificilmente pode ser encarado como um procedimento habitual antes do uso de um disco.

(iv) capas -- após o uso, de imediato, o disco deve retornar à sua capa interna e esta, por sua vez, colocada dentro daquela externa, mas maneira que a 'boca' da interna fique (no sentido anti-horário) a 90 graus daquela externa, isto é, 'selada' contra a entrada de pó e aerodispersóides. O profissional utilizará capas internas interfolhadas com papel de arroz ou ainda, capa de papel de arroz + capa vinílica tipo V.R.P.; ambas são boas alternativas.

2 comentários:

Jorge Ferreira disse...

Excelente!!!!

Veja o meu serviço de limpeza de discos de vinil em Lisboa Portugal:

http://lavagemdiscosvinil.blogspot.com/

PONTODOIS disse...

Muito obrigado!!!
Este artigo foi de grande valia para mim, perfeito.
PONTODOIS/LPS-DISCO VINIL